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10 coisas curiosas sobre o Yoga na China

No último ano, eu tive o prazer de ir para a China com o meu namorado. Ele já dá aula de yoga por lá há muitos anos, então foi fácil fazer as conexões com os estúdios pra eu iniciar a trabalhar em Shanghai também. Antes disso, eu ministrava aulas na minha querida Itajaí, e dava em torno de 7-10 aulas por semana. Alguns meses depois estava com a agenda cheia, e aqui vou escrever um pouco sobre coisas curiosas que observei enquanto professora e praticante...


Cheguei em Shanghai em julho, naquele calor do verão na China, e estava super empolgada pra iniciar a praticar com alguns professores, então o Rapha logo me levou pra um estúdio aonde ele dá formações de yoga pra fazermos uma aula juntos. Fizemos uma aula de Rocket Yoga, e eu juro que os meus dedos dos pés suaram até murchar! Foi uma experiência bastante interessante, mas completamente diferente daquilo que eu havia aprendido/ensinado antes.

Aqui vão dez curiosidades sobre a prática de yoga na China (algumas realmente curiosas):


1. Os alunos respeitam MUITO o professor de yoga

Essa foi a primeira coisa que notei. Quando estávamos em Wuhan em uma formação, começou que os alunos vieram trazendo um buquê de flores gigante! Os alunos inclusive me tratavam como uma professora mesmo que eu apenas estivesse acompanhando e estudando com o Rapha. Sempre com as mãozinhas juntas, em namastê, e baixando a cabeça em reverência, nos ajudando a pedir o almoço nos intervalos, e não nos deixando (JAMAIS) pagar pela comida. O chinês vai fazer exatamente aquilo que o professor sugerir nas aulas, são extremamente disciplinados, ao ponto de ficarem na sala de aula mesmo depois de mais de 12h no estúdio de yoga. E isso me influenciou e me fez admirá-los demais.


2. Os estúdios não têm deidades, incenso, nem uma pegada “holística”

Enquanto que no Brasil os estúdios e escolas de yoga têm (na sua maioria) aquele ar aconchegante, cheio de mandalas, aroma de incenso, Shivas, Krishnas e Ganeshas nas paredes e nos altares, na China os estúdios têm uma pegada de academia. Neles você encontra vestiários com chuveiro, guarda-volumes, salas padronizadas com tapetes da cor preta, espelho na parede e só. Não tem nem um altarzinho pra contar história...



3. As escolas têm o seu aplicativo de celular

Não apenas na China, mas em outros países também. Quando eu estava em Dublin, já utilizava estes aplicativos. Cada escola tem o seu, e por lá o aluno paga o membership, ou a aula avulsa, escolhe a aula, o horário e administra por lá mesmo praticamente tudo. O professor consegue ver quantas pessoas estão registradas pra aula, e os alunos que irão. Às vezes poderia acontecer de não ter ninguém registrado para a aula e dependendo do estúdio o professor nem precisava sair de casa. Além de ser bem mais conveniente para o aluno também que pode resolver tudo por conta própria.


4. Praticamente NENHUM professor de yoga é vegetariano

Primeiramente, quero dizer que não tenho absolutamente NADA contra professores que comam carne. Contudo, aqui no Brasil é meio que de praxe os professores serem vegetarianos ou veganos, cuidarem da alimentação e buscarem ter um estilo de vida o mais saudável possível. Então vocês imaginam o meu verdadeiro choque ao ver os professores se esbaldando na carne, bebida e cigarro (de tabaco mesmo hehe) e não ligando muito pra ter um estilo de vida mais ‘light’.


5. Nas festas da escola, eles servem carne e (muita) bebida alcoólica

Pegando carona na curiosidade acima, nas festas da escola é a mesma coisa. Eu me lembro de ter ido à confraternizações aqui no Brasil aonde era servida comida vegetariana, kombucha, tocado mantras, feito meditações, conversado sobre a vida, enfim confraternizações super especiais. Em uma festa de final de ano que fui, não havia NENHUMA opção vegetariana, e além disso foi servida muita bebida alcoólica. Era parte da brincadeira brindar com vinho e virar o copo! Tanto que uma das coordenadoras ficou tão bêbada que teve que ser meio que carregada pra casa!


6. Os alunos são EXTREMAMENTE flexíveis

Na Ásia em geral, a constituição das pessoas é mais ‘molinha’, mais flexível. Por agacharem bastante no chão pra fazer as necessidades, ou mesmo ficar de papo na rua com seu cigarrinho, os chineses têm quadris super flexíveis. Não apenas os quadris, mas todo o resto também! Para eles é bastante fácil fazer ‘drop backs’, hanumanasana (espacate), tocar as mãos no chão na flexão à frente. O que é um pouco mais difícil é acessar a força, e em geral os músculos por mais fortes que sejam não aparecem muito. Mas por serem extremamente disciplinados, eles também conseguem desenvolver força na prática e é lindo vê-los praticando.



7. Os alunos amam ajustes e desafios

É muito comum um aluno fazer duas a três aulas num dia só, e muitas vezes quando eu perguntava se eles praticavam diariamente me diziam assim: “Imagina! Eu só venho pra aula 5 vezes por semana”. O sonho de qualquer profe né gente? No início, eu me lembro que alguns alunos haviam reclamado das minhas aulas serem muito ‘fáceis’ e terem recebido poucos ajustes. Como o yoga lá é uma disciplina bastante física, e por eles terem facilidade, precisei ajustar a maneira que ensinava dando opções mais desafiadoras e fazendo eles literalmente suarem a camisa. Também amam ser ajustados e fazer exercícios em dupla, pois são muito solícitos entre si e adoram ajudar. Consegui perceber que mesmo as minhas aulas sendo diferentes, muitos deles gostavam dessa maneira um pouco mais integrativa de abordar a prática. Nem preciso dizer o quanto eu aprendi e o quanto eu aprecio e admiro estas qualidades deles!


8. No vestiário tem plaquinhas dizendo: “utilize o secador apenas para o cabelo de cima”

Gente! Uma coisa que as chinesas não têm é vergonha do próprio corpo (e acho isso ótimo). Enquanto nós brasileiras vestimos roupas mais sensuais e biquínis pequeninhos, mas ficamos morrendo de vergonha de ficar nuas num vestiário, elas simplesmente andam peladas depois do banho, conversam entre si, com a maior naturalidade. E algo BEM curioso que observei nas placas que ficavam do lado dos secadores de cabelo era: “utilize o secador apenas para o cabelo de cima” com inclusive um DESENHO de proibido e um bonequinho com o secador lá ‘embaixo’. Ah, e pra quem pergunta, elas são bem limpinhas tá? Sempre tomavam banho depois da aula.


9. Nos cursos de formação raramente alguém faz perguntas

Isso é algo que se eu pudesse, mudaria. No Brasil é tão bacana essa troca de professor-aluno, no qual os alunos complementam o que o profe está dizendo com comentários sobre a própria vida ou experiências, ou mesmo fazendo perguntas, sem medo de tirar dúvidas. Por lá é diferente, os alunos escutam o que o professor diz, fazem anotações e deu. Em vários treinos que acompanhei o Rapha, percebi que era raríssimo alguém complementar com algo, ou mesmo tirar dúvidas. É algo cultural, acredito que seja ‘vergonhoso’ pra cultura deles interromper o professor, ou demonstrar que não entenderam algo. Mas é muito legal quando eles se abrem, pois conseguimos ver a sua profundidade e isso é realmente emocionante e gratificante de ver.



10. O professor de yoga é valorizado

Valorizado no sentido da profissão do professor. Ninguém, jamais, me pediu pra dar aula de graça por lá. E o valor pago por aula dava pra ter uma vida tranquila, pagar aluguel, comer, se locomover, viajar, estudar (isso tudo claro, se você estiver com a agenda cheia e não se perder nos aplicativos de compras). Eles entendem que essa é uma profissão como qualquer outra e que o profissional deve receber uma quantia justa para exercer o seu trabalho. Às vezes eu tenho a impressão de que no Brasil é OK o estúdio pedir que o professor dê aulas de graça para promover a escola, ou que as pessoas buscam o yoga como algo que deve ser oferecido de graça. O que é bastante engraçado, pois não vejo as pessoas pedindo por aulas de inglês de graça, ou sei lá, aulas de pilates. É claro que é bacana quando o yoga é ofertado para quem não tem condições de pagar uma aula em um estúdio, porém muitas vezes pessoas que têm condições de pagar uma aula, apenas aparecem em eventos gratuitos por não darem valor à prática. Então, acredito sim que há uma desvalorização da profissão por aqui. Que professor nunca cobrou 30,00 por auma aula e pagou 5.000,00 num curso? Enfim, isso é assunto para outro post!


E essas são as dez curiosidades, espero que tenham gostado! Quero deixar claro aqui que não tem lugar melhor ou pior, eu prefiro o Brasil em alguns aspectos, e a China em outros. Acredito que em breve, será possível uma integração das características positivas de ambos os lugares. Eu adorei o meu tempo por lá, tiveram vários desafios mas os aprendizados com certeza superaram todos os desafios vividos. Os meus alunos chineses estarão sempre no meu coração. Qual desses tópicos você achou mais curioso? Algum pensamento ou algo a complementar? Fica à vontade pra escrever ali nos comentários :)


Até a próxima,


Namaste.


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