top of page

O que buscar em um professor de yoga e o que desenvolver como aluno

Há alguns anos, eu fiz o meu mapa astral védico e uma das coisas que me marcaram foi que eu encontraria o meu guru no ano de 2020, aos 29 anos. Desde então tenho mantido meus olhos e coração abertos, e a minha prática em dia para receber a dádiva de ter um guru me guiando e inspirando no caminho. Para marcar este retorno do blog, hoje vamos falar sobre do que se faz um bom professor/ aluno de yoga. Você já parou para pensar nisso? Se é professor, o que faz de você um bom instrutor? E se é aluno, o que te faz gostar da aula de certos professores mais do que de outros e como você se qualifica e se dedica para a prática? Com isso em mente, eu fiz uma enquete no meu instagram da qual surgiram as seguintes respostas:

O que buscam em um professor de yoga:

- Verdade

- Humildade

- Prestatividade

- Empatia

- Coerência

- Saber silenciar

- Compassividade e não julgamento

- Voz calma

- Explicar com detalhes

Já de antemão, não estou aqui dizendo que tenho essas características, mas escrevo com o intuito de relembra-las para mim mesma como também dar uma luz para quem quer se melhorar, especialmente para aqueles que estão nos primeiros anos ministrando aulas de yoga. Assim como aos que estejam um pouco confusos no caminho, buscando um professor com quem praticar ou mesmo fazer uma formação.

Então vamos lá, nos textos sagrados há alguma menção sobre as qualidades a buscar em um professor? Sim, como também há qualidades que o professor deve encontrar em um aspirante. Segundo Georg Feuerstein, o yoga não é neutro no que se refere a valores, ele é encapsulado em considerações morais. Na tradição do Vedanta, caminho do Jnana Yoga (yoga do conhecimento), o aspirante deve ter capacidade de discernimento, um certo grau de desapego, e o desejo pela liberação e também as seguintes seis qualidades: tranquilidade, auto restrição, renúncia interna, paciência, concentração e fé. O guru não busca todas essas qualidades maduras no discípulo, mas sim uma semente, uma indicação de que essas qualidades estão presentes. Logo, antes de buscarmos a perfeição dos nossos professores, como alunos devemos observar estas qualidades em nós mesmos, uma vez que o yoga é também um caminho de auto responsabilidade.

Em uma live, um dos professores de Tantra que gosto muito, chamado Christopher Wallis, recebeu a seguinte pergunta: há algum código de conduta para os professores de Tantra? Ao que ele respondeu que não havia um manual explícito que limitasse aquilo que o professor poderia pedir a um aluno, pois tradicionalmente o professor pode ser muito ríspido e dar tarefas muito desafiadoras para um discípulo para que ele supere o ego e o transcenda, como um meio de auto conhecimento. Para dar um exemplo, alguns professores têm a prática de levarem seus pupilos para meditar por dias na beira de um precipício totalmente nus apenas cobertos com cinzas como uma maneira de vencer o medo da morte. Parece radical, mas muitas vezes são essas práticas que nos levam a um novo nível de consciência. Contudo, há sim preceitos de conduta enumerados e discutidos em diversos textos e escrituras sobre as qualidades do guru: palavra literalmente significa “removedor da escuridão”, ou “pesado” no sentido de ter um forte campo gravitacional de magnetismo do conhecimento.

Essencialmente um bom professor é aquele que tem em mente o melhor para o seu pupilo, e utiliza todos os seus recursos para desenvolvê-lo e guiá-lo à auto realização. Algumas das características do professor ideal citadas por diversos textos e escrituras são: saber as escrituras; saber aplicar os mantras; ser de fácil acesso para os alunos; dissipar a ilusão e a dúvida; ser compassivo para com todas as criaturas; ter conquistado os inimigos internos (desejo, ambição, ilusão, raiva, orgulho e ciúmes); não ter raiva, medo, dor, ostentação e egoísmo; não ser apegado a mulheres (tendo em vista que estávamos falando de professores homens), riqueza, vícios, más companhias, etc.

Nesta fala, Christopher deixa claro que não é necessário que o professor tenha conquistado todas essas características cem por cento, e sim que ele trabalhe nelas com grande vigor e empenho. Assim como no aluno, a semente precisa estar ali, mas no caso do professor esta semente já deve ter sido regada e começado a crescer e desabrochar. Que este professor não atue sobre os seus instintos mais primitivos, ou que saiba lidar com eles de maneira sábia mesmo depois de ter agido de maneira impulsiva.

É interessante que isso se relaciona com as qualidades que vieram lá da minha enquete: verdade e coerência. Não tem como falarmos sobre algum assunto em aula se nós não estivermos buscando esse conhecimento fora do tapetinho que é aonde o yoga de verdade acontece. O professor de yoga (não o professor de posturas) tem essa busca, essa sede por auto conhecimento. Ele não é uma pessoa perfeita, mas alguém que está buscando de verdade, alguém que não se conforma em ficar estagnado nos mesmos padrões mentais, e por ter essa busca muito firme e talvez até encontrado algumas respostas para as suas perguntas, ele se capacita para ajudar e guiar os outros nela.

Nos dias atuais, você não precisa ir para uma caverna e se isolar por anos, mas você precisa sim ter a sua prática diária, precisa estudar, meditar, ler, se informar, fazer cursos e o mais importante (e mais desafiador): aplicar todo esse conhecimento na sua vida e viver o yoga no dia a dia. Procure um professor que esteja alinhado com esses valores éticos, alguém que pratique aquilo que ensina, que não use do yoga um meio para se auto promover comercialmente (não há nada de errado em cobrar pelas aulas, mas confie no seu instinto quando ele apontar algo). E como aluno, seja também assim, procure desenvolver as qualidades do aspirante ideal e trabalhe neles, regue essa semente, e confie que “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. O verdadeiro professor é aquele que te guia de encontro àquela verdade que já está e sempre esteve latente dentro de você.

Bom, é isso! Me conta aqui o que você achou, se te trouxe algum insight ou alguma reflexão, dúvida ou sugestão. Eu vou adorar saber!

Gratidão por estarem comigo nesta jornada,

Namaste

Nina

21 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Why talk about racism in yoga?

After a hiatus without writing on the blog, I come back with an extremely pertinent subject for the moment we are living. Few things have touched me more than the #blacklivesmatter demonstrations in t

Por que falar sobre o racismo no contexto do yoga?

Depois de um hiato sem escrever no blog, volto com um assunto extremamente pertinente para o momento que estamos vivendo. Poucas coisas me tocaram mais do que a manifestações de #blacklivesmatter nos

Comments


bottom of page